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Empresa diz que exploração não aumentou a concentração de urânio na água de Caetité

Por Sabrina Craide da Agência Brasil / Terça-feira, 18 de Novembro de 2008 às 04:57

Brasília - O urânio detectado em amostras de água do subsolo do município de Caetité, na Bahia, analisadas pela organização não-governamental Greenpeace, sempre existiu na região e não é resultado da exploração feita pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), garante o diretor de Recursos Minerais da estatal, Otto Bittencourt Netto.

O diretor, que também é geólogo, garante que o urânio encontrado na água de Caetité existe na região há mais de 500 milhões de anos. Segundo ele, é uma das chamadas “anomalias de urânio”, que existe em outros pontos do país e em vários locais do mundo. “A água dali contém urânio naturalmente, sempre conteve. O que podemos garantir é que a operação da INB naquela região não contribui com nada para fazer a concentração de urânio naquelas águas”, afirma Netto.

Ele também garante que a concentração de urânio nas águas da região é monitorada constantemente. “Todo o mês vamos lá, coletamos e analisamos a água de todos os poços. Não existe alteração nenhuma nos últimos 10 anos”, diz. Segundo Netto, se as medições verificarem algum aumento nos níveis de radiação, as atividades da INB serão paralisadas imediatamente.

No mês passado, o Greenpeace divulgou um relatório denunciando a contaminação da água por urânio em Caetité. Segundo o documento, a população estaria sofrendo com os impactos causados pelas operações na usina de urânio gerenciada pela INB, estatal responsável pela exploração e produção de urânio para as usinas nucleares do país.

Uma equipe da Agência Brasilesteve em Caetité para conversar com a população sobre a questão. De acordo com a apuração da reportagem, as pessoas ainda têm muitas dúvidas sobre a contaminação da água na região e alguns até suspeitam terem adoecido por causa da radiação.

Segundo o diretor da INB, a quantidade de radiação contida no subsolo é mínima e não causa efeitos nocivos à saúde. Netto critica a maneira “alarmista” com que o tema foi tratado na região. “O assunto gerou um pânico na população por causa da irresponsabilidade de alguns órgãos. Mas, aos poucos, estamos contornando isso, mostrando que não é nada disso”, diz. Segundo ele, o pavor é justificado pela falta de conhecimento da população em relação ao tema.

A denúncia do Greenpeace está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, que realizou uma audiência pública em Caetité para ouvir a comunidade local sobre a questã.

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